Fatores de risco para quedas em idosos podem ser identificados antes do acidente 

Bastien Bellard
Bastien Bellard
Yuri Silva Portela

Quedas em idosos não são apenas acidentes inevitáveis do envelhecimento. Embora costumem ser tratadas como imprevisíveis, boa parte dos episódios está relacionada a fatores identificáveis, sejam eles ambientais, físicos ou relacionados ao uso de medicamentos, que podem ser observados e ajustados antes que uma queda aconteça. O Ministério da Saúde mantém a prevenção de quedas como estratégia de saúde pública, reconhecendo o impacto desse tipo de evento sobre incapacidade e mortalidade entre a população idosa, já que uma única queda pode resultar em fraturas, hospitalizações prolongadas e perda significativa de autonomia funcional.

Reconhecer esses fatores de risco com antecedência representa uma das estratégias mais efetivas para reduzir a ocorrência desse tipo de evento, comenta o pós-graduado em geriatria, Doutor Yuri Silva Portela. As próximas seções detalham os principais fatores físicos, ambientais e medicamentosos associados às quedas, além de caminhos possíveis para identificá-los antes que o acidente aconteça.

Quais fatores físicos podem aumentar o risco de quedas em idosos?  

Redução de força muscular, alterações no equilíbrio e problemas de visão não corrigidos estão entre os fatores físicos mais associados ao risco de quedas. A perda gradual de massa muscular, comum no envelhecimento, compromete a estabilidade e a capacidade de reação diante de obstáculos inesperados.

Avaliar força, equilíbrio e marcha durante consultas geriátricas permite identificar sinais precoces que, se não observados, poderiam evoluir para quedas mais graves. Testes simples de levantar e caminhar, por exemplo, ajudam a estimar o risco de queda de forma objetiva, complementando a observação clínica tradicional.

Problemas de visão, especialmente quando não corrigidos por óculos adequados ou tratamento de condições como catarata, também comprometem a percepção de obstáculos e desníveis, aumentando a chance de acidentes mesmo em ambientes familiares ao paciente.

Como tapetes soltos e pisos escorregadios afetam a segurança dos idosos no lar?

Tapetes soltos, iluminação inadequada, pisos escorregadios e ausência de barras de apoio em banheiros são exemplos de fatores ambientais que aumentam significativamente o risco de quedas dentro de casa. Muitas vezes, pequenas adaptações no ambiente doméstico já reduzem consideravelmente esse risco, sem exigir reformas complexas ou custosas.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Observar o espaço em que o idoso vive, e não apenas sua condição clínica, é parte importante da avaliação preventiva, já que o ambiente físico influencia diretamente a segurança do dia a dia. Essa avaliação, segundo o pós-graduado em geriatria Doutor Yuri Silva Portela, deveria fazer parte da rotina de acompanhamento, e não ser lembrada apenas depois que um acidente já ocorreu.

O papel dos medicamentos no risco de quedas

Determinados medicamentos, especialmente aqueles com ação sedativa ou que reduzem a pressão arterial, podem afetar o equilíbrio e a coordenação, aumentando o risco de quedas. Revisar periodicamente os medicamentos em uso é parte relevante da estratégia preventiva, especialmente em pacientes que utilizam diversas prescrições simultaneamente.

Alguns cuidados específicos merecem atenção nesse contexto:

  • observar sinais de tontura ou sonolência excessiva após o início de um novo medicamento;
  • evitar levantar-se rapidamente após o uso de remédios com ação hipotensora;
  • comunicar à equipe de saúde qualquer episódio de instabilidade relacionado a horários de medicação.

Segundo Yuri Silva Portela, esse cuidado se soma às demais medidas preventivas, reforçando que a prevenção de quedas envolve diferentes frentes de atenção trabalhando de forma conjunta, e não apenas uma intervenção isolada.

Identificação do risco e prevenção antes do acidente

Combinar avaliação regular de força muscular e equilíbrio, revisão periódica dos medicamentos em uso, adaptação do ambiente doméstico e correção de problemas visuais não tratados forma uma estratégia mais completa do que qualquer medida isolada. Cada um desses elementos, sozinho, reduz parte do risco, mas é a soma dessas ações que costuma produzir resultados mais consistentes.

O uso de calçados adequados e antiderrapantes, muitas vezes deixado em segundo plano, também contribui para reduzir episódios de instabilidade durante o deslocamento em diferentes superfícies. Doutor Yuri Silva Portela transmite que medidas simples, quando mantidas de forma consistente, tendem a ter impacto significativo sobre a segurança do idoso ao longo do tempo.

Quedas em idosos podem ser antecipadas quando fatores de risco físicos, ambientais e medicamentosos são identificados e trabalhados de forma preventiva. Cada avaliação deve ser conduzida por profissionais habilitados, capazes de indicar as medidas mais adequadas à realidade de cada paciente.

 

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