De acordo com o Alfredo Moreira Filho, especializado em gestão empresarial, o cacau e a gestão caminham juntos quando transforma vivências do campo em leitura estratégica de cenário. Essa cultura, ao mesmo tempo, agrícola e econômica, exige precisão técnica e disciplina decisória, porque pequenas variações de ambiente, sanidade e pós-colheita alteram produtividade, padrão de amêndoa e reputação de origem. Se você quer compreender por que o cacau é um tema de gestão tanto quanto de agronomia, siga na leitura e conecte esses fundamentos à lógica de decisões consistentes, aquelas que sustentam resultado sem depender de improviso.
Diagnóstico agronômico: Quando o cacau pede leitura de cenário?
O cacau raramente falha por um único motivo. A cultura responde a um conjunto de fatores que se somam, se anulam ou se potencializam, e isso muda totalmente o que se entende por “produtividade”. Nessa lógica, como pontua o Diretor Técnico Alfredo Moreira Filho, antes de falar em desempenho, é preciso saber “onde” está o problema, porque a mesma queda de produção pode nascer de causas distintas.
No livro “Pequenas Histórias e Algumas Percepções”, Alfredo relembra um trabalho de diagnóstico da cacauicultura no Amazonas, com observação de campo em centenas de propriedades e foco socioeconômico e agrícola, justamente para compreender a realidade antes de propor qualquer direção.
Esse raciocínio é valioso porque desloca o tema do “achismo” para um mapa de variáveis. Sem diagnóstico, a decisão vira aposta. Com diagnóstico, a escolha passa a ser governada por evidência, mesmo quando a evidência é imperfeita. É por isso que, na gestão empresarial, método não é luxo: é mecanismo de proteção contra desperdício de energia, tempo e capital.
Solo e água: O que o cacau exige para responder em produtividade?
Poucas culturas deixam tão claro que o ambiente manda. O cacaueiro é sensível ao solo, à disponibilidade de nutrientes e ao regime hídrico, além de responder de forma intensa a condições de acidez e presença de alumínio. No mesmo livro, há um registro técnico relevante: em debate sobre cacau na Amazônia, descreve-se que o cacaueiro suportava cheias nas várzeas, beneficiadas por nutrientes trazidos pelas águas; já em “terras firmes”, predominavam latossolos ácidos e ricos em alumínio, distantes das exigências do cacaueiro, com correção onerosa e, naquele contexto, inviável.

Essa diferença de base é mais do que curiosidade agronômica: ela separa eficiência de frustração. Onde o solo limita, o investimento tende a ser absorvido sem resposta proporcional. O que se aprende aqui vale para qualquer operação: produtividade não é só “trabalhar mais”, é operar em condições que devolvam resultado, com premissas coerentes e custos compatíveis.
Sanidade do cacaueiro: Vassoura-de-bruxa e o custo invisível do risco
Em cacau, risco sanitário não é detalhe, é ponto de ruptura. A vassoura-de-bruxa se tornou símbolo desse tipo de ameaça porque altera a dinâmica de produção, afeta renda regional e muda a lógica de planejamento do setor. No livro “Pequenas Histórias e Algumas Percepções”, há a lembrança de que a presença do fungo seria devastadora para regiões produtoras e de que a prevenção era tratada como premissa central, inclusive pela possibilidade de transmissão associada a plantas hospedeiras da mesma família, como o cupuaçu.
Mais adiante, o texto rememora como a doença avançou e como a economia cacaueira liderada pela Bahia foi atingida de forma dura, com impactos amplos sobre a produção nacional.
Como constata Alfredo Moreira Filho, especializado em gestão empresarial, risco não se administra com discurso, e sim com estrutura. No campo, risco tem forma concreta. Na empresa, muitas vezes ele se mascara de “normalidade”, até que vire crise. O cacau ensina que o custo invisível do risco é sempre maior do que parece, porque chega com perda de previsibilidade, pressão financeira e desgaste de credibilidade.
Cacau e gestão: Técnica que sustenta decisões de longo prazo
A história profissional de Alfredo Moreira Filho, Fundador e Management do Grupo Valore+ inclui que, ainda jovem, teve uma passagem por uma empresa de comércio e exportação de cacau, experiência que ajudou a manter o vínculo com trabalho, estudo e continuidade de trajetória.
O ponto, aqui, não é romantizar o passado, e sim notar o que permanece atual: cacau é técnica, risco, mercado e reputação ao mesmo tempo. Quando se compreende essa interdependência, fica mais claro por que decisões consistentes exigem método e por que a qualidade é, no fim, uma consequência de gestão.
Como conclui Alfredo Moreira Filho, Fundador e Management do Grupo Valore+, sua história representa um tipo de visão que une fundamento técnico e disciplina gerencial: reconhecer variáveis, respeitar limites do ambiente, tratar risco com seriedade e entender que reputação se constrói com coerência. No cacau, como em qualquer negócio bem conduzido, o resultado mais forte raramente nasce do improviso; ele nasce da capacidade de sustentar padrões.
Autor: Mibriam Inbarie
