Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, especialista em tecnologia, software e inteligência artificial, acompanha migrações para cloud há anos e identifica um padrão que se repete com frequência perturbadora: empresas investem tempo e orçamento consideráveis para mover sua infraestrutura para a nuvem e chegam do outro lado com os mesmos problemas de antes, só que agora pagando mais por eles.
A promessa da cloud computing é real; ela entrega a elasticidade, redução de custos com hardware físico, acesso a serviços gerenciados e a capacidade de escalar sob demanda. No entanto, essas vantagens dependem de decisões de arquitetura que a maioria das migrações não toma.
Lift and shift: por que mover sem transformar não funciona?
A abordagem mais comum de migração para cloud é o chamado lift and shift: pegar a aplicação como ela está e colocá-la para rodar em servidores virtuais na nuvem. Com isso, o resultado é um sistema que funciona, mas que não aproveita nada do que a cloud tem a oferecer.
Aplicações monolíticas que rodavam em servidores dedicados não se tornam mais escaláveis só porque agora rodam em instâncias EC2 ou VMs no Azure. Bancos de dados que não foram projetados para ambientes distribuídos continuam sendo gargalos. E o custo, que deveria cair, muitas vezes sobe porque a arquitetura não foi pensada para o modelo de precificação da nuvem.
O que significa realmente arquitetar para cloud?
Para Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, arquitetar para cloud significa tomar decisões desde o início que aproveitem os primitivos nativos da plataforma. Isso inclui usar serviços gerenciados para banco de dados, filas e cache em vez de gerenciar essas camadas manualmente. Significa projetar para falhas, assumindo que componentes vão falhar e construindo resiliência no sistema. Significa separar estado de processamento para que instâncias possam ser criadas e destruídas sem perda de dados.
Essas decisões mudam o perfil de custo, a capacidade de escala e a complexidade operacional do sistema de forma significativa.

Multicloud e os riscos que ninguém menciona no início
A estratégia multicloud ganhou popularidade como forma de evitar dependência de um único fornecedor. Na teoria, faz sentido. Na prática, ela introduz uma camada de complexidade operacional que equipes pequenas e médias frequentemente subestimam.
Portanto, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira evidencia que gerenciar identidade, rede, observabilidade e segurança digital em múltiplos provedores simultaneamente exige maturidade técnica e ferramental específicas. Sem isso, o custo de operar em multicloud supera os benefícios de flexibilidade que a estratégia promete.
FinOps: a disciplina que falta na maioria das operações cloud
Um dos maiores problemas de cloud computing nas empresas não é técnico, é financeiro. Isso ocorre porque instâncias são superdimensionadas, recursos são provisionados e nunca usados, storage cresce sem política de retenção e a transferência de dados gera custos que ninguém monitora. O FinOps surgiu, portanto, exatamente com o propósito de criar visibilidade e governança sobre esses custos.
Especialistas em tecnologia, como Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, reconhecem que infraestrutura de tecnologia bem gerenciada precisa de visibilidade financeira em tempo real, não apenas relatórios mensais depois que o custo já aconteceu.
O que muda com IA nos datacenters e na infraestrutura cloud?
A chegada de workloads de inteligência artificial mudou o cálculo de infraestrutura de forma relevante. Dessa forma, instâncias com GPU, armazenamento de alta velocidade para datasets e redes de baixa latência para comunicação entre nós de treinamento têm precificação e comportamento operacional diferentes dos serviços tradicionais.
Assim, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira conclui que empresas que estão incorporando IA em seus produtos precisam revisar sua estratégia de cloud computing com esse contexto em mente. A infraestrutura que servia bem para aplicações web convencionais pode não ser adequada para os novos workloads sem ajustes significativos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
