Corumbá terá nova maternidade com 150 leitos: entenda o que muda para as gestantes da região

Corumbá terá nova maternidade com 150 leitos: entenda o que muda para as gestantes da região

Investimento de R$ 153 milhões do Novo PAC Saúde vai ampliar a assistência materno-infantil e beneficiar cerca de 143 mil pessoas em Corumbá e municípios vizinhos

Corumbá vai ganhar uma estrutura de saúde que promete mudar a rotina de quem mora na região e precisa de atendimento materno-infantil. Nesta terça-feira, 23 de junho, o Ministério da Saúde assinou a ordem de serviço que autoriza o início das obras de uma nova maternidade no município, com 150 leitos e investimento de R$ 153 milhões oriundos do Novo PAC Saúde.

A novidade chega em um momento em que moradores de Corumbá e cidades vizinhas frequentemente precisam se deslocar para outros centros em busca de atendimento especializado durante a gravidez. Com a nova unidade, a expectativa é reduzir essa dependência, reunindo internação, ambulatório e urgência obstétrica em um só endereço.

A obra integra um pacote nacional de 36 maternidades selecionadas pelo governo federal e levanta uma pergunta natural entre os moradores: o que de fato muda na prática para as famílias pantaneiras a partir de agora?

O que prevê o projeto da nova maternidade de Corumbá

De acordo com o Ministério da Saúde, a unidade vai oferecer atendimento de média e alta complexidade à mulher, à gestante, à puérpera e ao recém-nascido. A estrutura contará com internação hospitalar, atendimento ambulatorial e serviços de urgência e emergência ginecológica e obstétrica, funcionando 24 horas por dia.

A meta é dar suporte inclusive a partos de maior risco, contribuindo para reduzir a mortalidade materna e infantil por meio de uma assistência que acompanha a gestante desde o pré-natal até o pós-parto. Os 150 leitos previstos representam um salto significativo em relação à capacidade atual de atendimento na cidade, que hoje depende em boa parte da estrutura da Santa Casa local.

A escolha de Corumbá entre as 36 unidades do Novo PAC Saúde não foi aleatória. Segundo o ministério, os critérios usados para selecionar os projetos incluíram índices de mortalidade materna, existência de vazios assistenciais, vulnerabilidade socioeconômica, alcance populacional e distribuição regional dos investimentos.

Além da maternidade, o pacote de obras prevê a implantação de um Centro de Parto Normal (CPN), uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS), seis combos de equipamentos para postos de saúde, uma sala de cirurgia geral, uma Unidade Odontológica Móvel, três veículos para o SAMU 192, um micro-ônibus, equipamentos para a Hemorrede e kits para teleconsulta. Juntas, essas entregas formam uma rede de apoio que vai muito além da construção do prédio principal.

Por que a mudança era esperada pela população de Corumbá

A chegada da nova unidade não acontece por acaso. A maternidade da Santa Casa de Corumbá já foi alvo de investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul depois de registrar quase 70 óbitos de bebês entre 2020 e 2021, sendo 35 casos no primeiro ano e 34 no seguinte.

Em março de 2024, familiares de bebês falecidos e gestantes participaram de manifestações na cidade pedindo a implantação de uma UTI neonatal, relatando falhas no atendimento e a falta de estrutura para lidar com casos de risco. Algumas mulheres chegaram a relatar que buscavam atendimento em outros municípios por medo de complicações durante o parto, situação que evidenciava a urgência de um investimento mais robusto na rede materno-infantil local.

É justamente esse histórico que dá peso ao anúncio feito pelo Ministério da Saúde. A nova maternidade nasce com o desafio de não repetir os problemas estruturais que marcaram a unidade anterior, oferecendo equipamentos modernos, centro cirúrgico próprio e uma equipe preparada para atender gestações de maior complexidade sem necessidade de transferência.

Para as famílias que vivem na fronteira com a Bolívia e em áreas mais distantes do Pantanal, contar com esse tipo de estrutura dentro do próprio município representa segurança em um momento delicado, quando cada minuto de deslocamento pode fazer diferença para a saúde da mãe e do bebê.

Próximos passos e o que esperar até a unidade funcionar

Com a ordem de serviço assinada, a obra entra agora na fase de execução, que costuma seguir cronogramas plurianuais em empreendimentos desse porte. A nova maternidade será erguida no mesmo terreno onde já está em andamento a construção do Centro de Parto Normal, formando um complexo de atendimento materno-infantil mais completo.

Moradores que quiserem acompanhar o avanço das obras podem buscar informações junto à Secretaria Municipal de Saúde e aos canais oficiais do Ministério da Saúde, já que esse tipo de empreendimento costuma ter atualizações periódicas sobre etapas de construção e previsão de entrega.

O impacto da nova unidade também deve se estender além dos limites de Corumbá. Por estar situada em uma região de fronteira e servir como referência para municípios vizinhos, a maternidade tem potencial para reduzir a sobrecarga de outros centros de saúde da região pantaneira, incluindo Ladário.

Isso significa menos deslocamentos para gestantes de áreas rurais e ribeirinhas, além de maior capacidade de resposta em emergências obstétricas, que muitas vezes não podem esperar uma viagem de horas até a capital ou outras cidades maiores.

A nova maternidade de Corumbá representa um passo concreto para enfrentar um problema que já custou vidas e causou sofrimento a muitas famílias da região pantaneira. Embora a obra ainda precise avançar até a inauguração, o simples fato de o projeto ter saído do papel já é motivo de alívio para quem convive diariamente com as limitações da rede de saúde local. Nos próximos meses, a expectativa é que novos detalhes sobre o cronograma de construção sejam divulgados, permitindo que a população acompanhe de perto cada etapa até o dia em que a unidade finalmente abrir as portas.

Fontes consultadas:

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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